Deslocar-se em Buenos Aires: Subte, autocarros e viagens de carro
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Deslocar-se em Buenos Aires: Subte, autocarros e viagens de carro

Resposta Rápida

Como se desloca em Buenos Aires?

Sobretudo com o Subte (seis linhas, de A a E, mais a H) e a rede de autocarros colectivos, ambos pagos com o cartão sem contacto SUBE em vez de dinheiro. Táxis, remises e aplicações de transporte preenchem as lacunas nas noites tardias, com bagagem e nos trajetos que o Subte não cobre.

O meu primeiro erro, e aquele que toda a gente comete

Cheguei a pensar que bastava entrar num autocarro com pesos no bolso. Fiquei à porta de um colectivo no Retiro às voltas com moedas enquanto o motorista me olhava como se eu tivesse pedido para pagar com conchas. Não se pode pagar em dinheiro nos transportes públicos de Buenos Aires. Nem no Subte, nem no autocarro, nem nos comboios suburbanos até Tigre ou San Isidro. Tudo funciona com um único cartão sem contacto chamado SUBE, e enquanto não o tiver, vai andar a pé ou a pagar um carro sempre que precisar de sair.

Esse facto por si só reorganiza a forma como se deve pensar a cidade. Por isso, antes de mais nada: vá buscar um cartão SUBE. Escrevi a parte prática de comprar e carregar o cartão à parte, no guia do cartão SUBE — onde comprá-lo, como carregá-lo, o que fazer se um quiosque estiver sem stock — porque merece o seu próprio espaço, e esta página é sobre o panorama geral de deslocação.

O Subte: seis linhas, e um facto surpreendente

O Subte é o metropolitano da cidade e é a espinha dorsal da forma como atravesso a cidade rapidamente. Seis linhas: A, B, C, D, E e H. A Linha A é aquela em que penso sempre que a apanho, porque foi inaugurada em 1913 e foi o primeiro metropolitano de todo o hemisfério sul e da América Latina. Viajar numa linha tão antiga, com as suas estações de azulejos originais ainda visíveis em alguns pontos, é uma daquelas pequenas coisas que faz a cidade parecer mais estratificada do que seria de esperar de uma capital “jovem”.

As linhas espalham-se a partir do Microcentro em direção aos limites da cidade, e são genuinamente rápidas quando o trajeto coincide com uma delas. A minha experiência honesta: as viagens de Subte são excelentes entre bairros que uma linha liga diretamente, e inúteis assim que é preciso atravessar na diagonal entre duas linhas que não se cruzam bem — é aí que uma ideia de quinze minutos se transforma em quarenta e cinco minutos debaixo de terra.

Uma coisa que vale a pena corrigir desde já, porque a assumi antes de chegar: Buenos Aires não tem rede de eléctricos. Há uma linha de comboio ligeiro nos subúrbios a norte, o Tren de la Costa, que faz um percurso pitoresco até Tigre, mas é uma linha suburbana de lazer, não um eléctrico urbano que se usaria para ir de San Telmo a Palermo numa terça-feira de manhã. Se está a imaginar eléctricos ao estilo europeu a percorrer as avenidas, esqueça essa imagem.

Colectivos: a rede que realmente cobre a cidade

Os autocarros — colectivos — são onde está a verdadeira cobertura. As linhas do Subte são poucas e sobretudo radiais; os colectivos preenchem tudo o que o Subte não alcança, e muitas rotas continuam a funcionar durante a noite, o que o Subte não faz. Acabo por depender mais dos colectivos do que esperava, especialmente para ir do Palermo ou de Belgrano para algum sítio que não seja um trajeto direto numa linha de Subte.

O problema é que a rede de rotas é densa e nem sempre intuitiva para um visitante — centenas de linhas numeradas, cada uma com o seu próprio percurso pela cidade. Para isto uso uma aplicação de transportes em vez de tentar memorizar seja o que for, e recomendo o mesmo: procure o número do colectivo específico para o seu trajeto em vez de adivinhar numa paragem. O cartão SUBE regista a entrada e, nalgumas rotas, também a saída, tal como no Subte, por isso mantenha-o carregado em vez de o deixar chegar a zero a meio de uma viagem.

Quando desisto e apanho um carro

Nem todos os trajetos compensam o transbordo. Tarde da noite, com bagagem, a caminho do aeroporto de Ezeiza para um voo matinal, ou a atravessar entre bairros que o Subte e o colectivo cobrem mal — é aí que chamo um remise, apanho um táxi ou abro uma aplicação de transporte. As três são opções normais e estabelecidas aqui, não um remendo. Os remises são carros reservados previamente por telefone ou através de um escritório local, o que considero mais calmo do que parar algo numa avenida movimentada como junto a Puerto Madero na hora de ponta. Os táxis são abundantes e têm taxímetro. As aplicações de transporte funcionam como em qualquer outro lugar.

Não uso o carro como opção padrão na cidade — o trânsito no Microcentro e junto à Plaza de Mayo nas horas de ponta pode anular qualquer tempo poupado em relação ao Subte — mas deixei de fingir que o transporte público é sempre a escolha mais eficiente. Geralmente é. Nem sempre.

Um esquema mental simples para escolher

SituaçãoO que costumo apanhar
Ponto a ponto numa linha de Subte, de diaSubte
Qualquer sítio que o Subte não alcance diretamenteColectivo
Noite tardia, depois do serviço do Subte terminarColectivo (se a rota funcionar) ou táxi/aplicação de transporte
Transferência para o aeroporto, com bagagemRemise ou táxi
Excursão a Tigre ou San IsidroComboio suburbano (linha Mitre) ou Tren de la Costa
Atravessar o rio até ao UruguaiFerry, não há opção rodoviária

Quanto às tarifas de qualquer um destes meios — Subte, colectivo, comboios suburbanos — prefiro não indicar um número aqui. A Argentina tem passado por anos de inflação elevada e mudanças repetidas na forma como as tarifas e os carregamentos funcionam, e qualquer valor em pesos que escrevesse hoje ficaria provavelmente desatualizado em poucas semanas. Verifique as tarifas atuais no site oficial do SUBE ou na sua aplicação de transportes antes de viajar, e carregue mais saldo no cartão do que pensa que vai precisar.

Onde isto se encaixa no resto da viagem

Depois de tratar do SUBE e de ter uma ideia geral do Subte versus colectivo, a questão dos transportes passa quase para segundo plano, que é exatamente onde a quero. Isso liberta-o para o planeamento propriamente dito — decidir entre Palermo e Recoleta como base, perceber como Tigre ou Colonia del Sacramento se encaixam nos seus dias, e descobrir como vai chegar e partir do aeroporto que usar, o que abordo separadamente já que EZE e o Aeroparque funcionam de forma completamente diferente do transporte local da cidade.

Se quiser um dia completo que elimine por completo a questão dos transportes, uma opção guiada como o passeio de um dia com gaúchos na pampa com almoço de asado ou o brunch guiado com passeio de barco pelo delta de Tigre trata das deslocações por si, o que é um alívio nos dias em que não quer pensar no saldo do SUBE.

Para atravessar até ao Uruguai, o passeio de um dia a Montevideo com ferry e almoço incluídos faz o mesmo pela travessia de fronteira e pela logística do ferry. E se estiver distribuído por várias destas zonas ao longo da estadia, uma opção estruturada como o itinerário de 4 dias Discovering Buenos Aires reúne muitas das decisões de deslocação numa só reserva.

Deslocar-se em Buenos Aires: as suas perguntas

Posso pagar o Subte ou o colectivo em dinheiro?

Não. Ambos exigem o cartão sem contacto SUBE; os motoristas dos colectivos não aceitam dinheiro e os torniquetes do Subte só leem o SUBE. Veja o guia do cartão SUBE para saber onde comprá-lo e carregá-lo.

Buenos Aires tem eléctricos?

Não, a cidade não tem rede de eléctricos. O Tren de la Costa, nos subúrbios a norte, usado a caminho de Tigre, é uma linha de comboio ligeiro, não um eléctrico urbano.

Quantas linhas tem o Subte?

Seis: A, B, C, D, E e H. A Linha A, inaugurada em 1913, foi o primeiro metropolitano do hemisfério sul e da América Latina.

Vale a pena aprender a rede de autocarros ou basta usar o Subte?

Vale a pena, pelo menos de forma genérica. Os colectivos cobrem a cidade de forma muito mais fina do que as seis linhas do Subte e muitas rotas funcionam durante a noite, quando o Subte não funciona. Uso uma aplicação de transportes para encontrar a linha certa em vez de memorizar rotas.

Qual é a diferença entre um remise e um táxi?

Um remise é um carro reservado com antecedência, por telefone ou num escritório, em vez de ser parado na rua; um táxi tem taxímetro e pode ser apanhado diretamente na via pública. Ambos são opções normais e estabelecidas, a par das aplicações de transporte.

Quanto custa um bilhete de Subte ou de colectivo?

Deliberadamente, não indico aqui um valor — as tarifas e as regras de pagamento na Argentina têm mudado repetidamente devido à inflação elevada, por isso qualquer número ficaria provavelmente desatualizado rapidamente. Verifique o site oficial do SUBE ou uma aplicação de transportes para as tarifas atuais antes da viagem.

Preciso do SUBE para os comboios suburbanos até Tigre ou San Isidro?

Sim, o mesmo cartão SUBE cobre a rede ferroviária suburbana, incluindo a linha Mitre em direção a Tigre e San Isidro, além do Subte e dos colectivos.

O trânsito é mau ao ponto de dever evitar carros na cidade?

Nas horas de ponta, em torno do Microcentro e da Plaza de Mayo, sim, pode anular qualquer vantagem de tempo em relação ao Subte. Continuo a usar carros para noites tardias, bagagem e transferências para o aeroporto, mas não como opção padrão durante o dia.

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